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*contém spoilers*

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Com certeza a maioria dos fãs de Batman já leu o clássico A Piada Mortal, de Alan Moore (Watchmen, V de Vingança) com arte de Brian Bolland (Camelot 3000), mas pra quem ainda não leu, vamos dar um resuminho. A graphic novel nos mostra o Coringa em sua tentativa de enlouquecer o Comissário James Gordon – a qual ele se refere como “o homem comum”. O palhaço de Gotham quer provar que não importa a sanidade que nos mantém seguindo no dia-a-dia – basta um dia ruim para deixar um homem louco. Aliás, é assim que somos apresentados ao Coringa neste remagine da origem dele, como um comediante fracassado, sem dinheiro que tem a esposa grávida assassinada e ainda sofre um acidente numa operação de risco (sim, aquele acidente que o deixou com a pele mais pálida e madeixas mais verdes). O “dia ruim” que Coringa decide dar a Gordon envolve a pessoa que ele mais ama no mundo; sua filha Barbara, a Batgirl. Não bastasse o tiro que Barbara leva, o vilão ainda a deixa nua, a tortura e tira fotos para exibir ao comissário. Obviamente, o Homem Morcego vai ao socorro de ambos e ainda tem uma DR intensa com Coringa.

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Na versão animada, Mark Hamill (Star Wars, Batman: A Série Animada) reproduz brilhantemente esta que é uma das representações mais psicóticas do Coringa – com direito ao número musical “I Go Looney”. Kevin Conroy repete seu papel como Batman e Tara Strong vem como Batgirl. Ray Wise, o eterno Leland Palmer de Twin Peaks, dá voz ao Comissário Jim Gordon. O roteiro ficou por conta de Brian Azzarello (100 Balas, Mulher Maravilha) e a direção é de Sam Liu (Planeta Hulk, Liga Da Justiça: Crise em Duas Terras).

Mark-Hamill-JokerMark Hamill é incrível como Coringa

A adaptação é bem fiel à graphic novel, muitas cenas são até basicamente idênticas aos quadros de Bolland. Porém, o filme adiciona um prólogo de 30 minutos focado na Batgirl e sua relação conturbada com o Batman. Bruce é extra zeloso com Barbara por achar que sua excitação exagerada para lutar contra o crime pode acabar levando-a a matar algum bandido. Bruce, então, retira Barbara do caso no qual estão trabalhando, causando fúria em Barbara. Uma discussão acalorada segue e os dois… transam. Pois é. No dia que segue, Barbara ajuda Batman contra os bad guys que estavam perseguindo e ela realmente chega perto de assassinar um deles. Percebendo que Bruce poderia estar certo, ela resolve aposentar a Batgirl.

A Piada Mortal sempre foi alvo de controvérsias por colocar Barbara Gordon numa situação de submissão extrema, deixando-a inclusive, paraplégica – até Moore já declarou que, em retrocesso, talvez tenha sido um pouco demais. A Batgirl está presente na história não como um personagem, mas basicamente como um artifício para levar os personagens principais ao conflito necessário. Tendo isso em mente, a inclusão do prólogo no filme é uma tentativa de dar mais profundidade ao personagem de Barbara, mas, ao meu ver, não passa de um “petisco” atirado aos que partilham da opinião sobre a violência em demasia. Ficou parecendo uma junção um pouco sem nexo de convenções que gerou um subplot tão sem graça quanto repulsivo pela cena de sexo entre Bruce e Barbara.

Close errado é pouco

Como já dizem por aí, “clássico é clássico e vice-versa”, mas temos aí 28 anos de diferença entre o lançamento da HQ original e desta adaptação. Adaptar também implica em estar ciente do zeitgeist atual. A Piada Mortal é uma obra incrível e em 2016 poderia ser mais incrível ainda se algumas pinceladas no roteiro fossem dadas para dar ao personagem feminino a atenção que merece. Vemos uma evolução muito grande de representação no meio geek recente e acredito que não era necessária a reprodução do clichê “Women in Refrigerators” de 28 anos atrás, hoje.

X8LUHPCWomen In Refrigerators é o termo usado quando um personagem feminino recebe tratamento violento demais numa HQ. Foi cunhado por Gail Simone em virtude deste acontecimento em Lanterna Verde nº54 em 1994 onde o herói encontra sua namorada esquartejada na geladeira.


De qualquer forma, vale a pena conferir Batman: A Piada Mortal que está disponível em DVD, Bluray e em várias plataformas digitais de filmes. Assista, tire suas próprias conclusões e compartilhe com a gente! 🙂

Você também é fã de HQs?

Me indica um pra eu fazer post sobre!! =)

Metade italiano, metade japonês mas inteiro peculiar. Ator desde 2009, já trabalhei como editor de vídeo e professor de inglês. Sou viciado em cultura pop; música, games, filmes, séries… e claro, as bizarrices que só encontramos nos dias de hoje graças às maravilhas da internet.

Metade italiano, metade japonês mas inteiro peculiar. Ator desde 2009, já trabalhei como editor de vídeo e professor de inglês. Sou viciado em cultura pop; música, games, filmes, séries... e claro, as bizarrices que só encontramos nos dias de hoje graças às maravilhas da internet.

  • Rafael Valese

    Oi Mari! Fala sobre o Old Logan ou sobre a Odisséia Cósmica da DC