160814164351_portinari

O pintor Cândido Portinari fez em tinta à óleo os melhores retratos da alta burguesia e da nata dos escritores e artistas da época dele. Não existe, por exemplo, foto que mostre tão bem o jeitão do poeta Carlos Drummond de Andrade que o retrato feito por Portinari.

Mas a exposição em cartaz no Museu de Arte de São Paulo – o MASP, na avenida Paulista – mostra uma seleção especial: quadros que são janelas por onde se pode ver como vivia, brincava, trabalhava, se divertia e morria a grande maioria da população brasileira na primeira metade do século 20.

São lavradores, operários, pedreiros, etc. – e crianças, filhos desses trabalhadores, empinando papagaios, soltando balões, jogando bola, brincando de roda – que ao contrária da minoria que detinha 90% da riqueza, não consumia literatura, música, arte visual e moda importadas da Europa.

Portinari foi o primeiro pintor importante – pelo talento, capacidade e quantidade de obras – que colocou em telas para todo mundo ver essa camada da sociedade do Brasil, e ajudou a dar importância e respeito à cultura popular que era vista como feia, pobre, sem graça e, principalmente, desimportante – um desses itens era o samba, além de instrumentos como o violão!

A morte de Cândido Portinari, aos 58 anos, foi causada pelo material que usava para pintar seus quase 5 mil quadros.

Você só vai ter a oportunidade de espiar através de algumas dessas “janelas para o passado” enquanto durar esta exposição, porque vários desses quadros pertencem a colecionadores e nunca tinham sido vistos por quem não tinha como entrar na casa deles – e por isso mesmo, nunca mais poderão ser vistos ao vivo.

portinari7

O grande barato de ver um quadro ao vivo é que por mais que uma foto de uma pintura seja bem feita, tem sempre mudanças nos tons das cores, e numa exposição você pode chegar bem perto das pinturas e ver como o artista consegue com pinceladas, risquinhos, tracinhos, pontinhos, fazer quem olha depois de longe ver volume, as coisas iluminadas e sombreadas, e expressões nas pessoas, bichos, plantas, objetos, rostos, bocas, olhos.

Você pode visitar nossos bisavós, trisavós e tataravós no Masp de terça a domingo (R$ 25 e R$ 12 a meia-entrada.), e nas terças a entrada é de graça!

 

 

  • Ana Laura Melo

    Adorei o post Mari!!! Adoro matérias sobre cultura….beijos…S2 S2 S2