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Acho que não existe adolescente que não lide com o bullying, né? Alguns lidam melhores que outros e, no meu caso, decidi, junto com a minha mãe, procurar ajuda profissional.

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Capa do single “L” de Ayumi Hamasaki. Representa bem como me sinto sendo bipolar.

Tinha 13 anos quando comecei as sessões de terapia,  14 quando fui diagnosticado com depressão crônica. Aos 15, passei por um psiquiatra que, por falta de profissionalismo (pois é, nessa eu tive azar), estava me tratando de maneira errada. Piorei muito antes de melhorar – para isso, mudei de médica e finalmente estava sendo tratado de acordo, só que com diagnóstico de síndrome do pânico. Mas passei melhor por alguns anos, a nova psiquiatra me deu alta e continuei com a terapia e acompanhamento em outros psicólogo e psiquiátrico. Lá pelos 21 ou 22 anos, voltei a ter crises maiorese um novo diagnóstico foi dado: transtorno bipolar. A partir dali que minha vida começoua mudar de fato.

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“Nunca achei que minha vida seria assim.” – Demi Lovato também luta contra o transtorno.

Contei essa jornada justamente porque o transtorno bipolar, muitas vezes, demora para ser diagnosticado. Não há uma razão 100% precisa para a causa do transtorno e, pela mudança e pelos muitos sintomas, pode ser confundido com outro tipo de condição. Alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença são: histórico familiar, problema biológico (como alguma anomaliafísica no cérebro), estresse excessivo, traumas.

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Estresse, tristeza, dor, depressão… são coisas que sentimos com freqüência.

Com certeza, você sabe que o transtorno bipolar causa aquelas mudanças tensas de humor. Mas o buraco é um pouco mais embaixo.

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Projeto da fotógrafa Kait Mauro mostra como é sua vida com o transtorno.

A mania (estado máximo de euforia) e a depressão (estado máximo de tristeza) se alternam sem aviso prévio, em intervalos que variam. Existem dois tipos do transtorno; sendo o tipo 1 o mais forte. O meu caso pode ser considerado o tipo 2; meus episódios de mania nem sempre eram intensos e duravam pouco mas seguiam de depressão que se arrastava por semanas.

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“As pessoas não entendem, eu achei que era um fardo para todos que me amavam porque era isso que meu cérebro me dizia.” – Kevin Hines é um paciente que tentou se matar mas sobreviveu. 

Os meus dias de hipomania (a mania mais fraca) eram repletos de auto-confiança, energia e produtividade. Falando assim parece até algo bom, né? Mas após algum tempo, vinha raiva, impulsividade e irritabilidade por qualquer coisa. Já realizei compras inúteis, marquei encontros dos quais me arrependi, tudo no impulso. No dia seguinte, era certo; não conseguia nem sair da cama. A energia ia embora e dava lugar a pensamentos ruins e drásticos. Eu perdia completamente a vontade de viver e só conseguia enxergar o lado ruim das coisas. O pior de tudo; devido aos picos, já tentei suicídio nos dois casos.

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“Lembre-se, você não está sozinho.”

O apoio e entendimento da família e amigos também são fundamentais. Tive sorte de ter ambos. Não é fácil conviver com alguém que tem qualquer transtorno psicológico mas muita conversa honesta e muita abertura a quem você ama ajuda MUITO. Paciência é a chave.

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“Você vai ficar bem, parceiro.”

Graças à terapia e ao acompanhamento psiquiátrico adequado, hoje vivo sob controle. Tomo remédiosreguladores de humor e faço as sessões com um psicólogo duas vezes ao mês (ou mais, quando julgo necessário). As crises ainda existem mas hoje posso identificá-las melhor e lidar melhor com a situação. Cada paciente tem uma manifestação diferente e o mais aconselhável é procurar ajuda profissional.

Infelizmente vivemos numa sociedade onde apenas expor certos sentimentos é considerado sinal de fraqueza, e talvez apenas as mudanças normais de humor podem já dar uma pulga atrás da orelha. O melhor a se fazer é sempre conversar com um psiquiatra ou psicólogo para se entender melhor.

Lembre-se: não é frescura e nem motivo de vergonha entender e cuidar da sua mente!

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Metade italiano, metade japonês mas inteiro peculiar. Ator desde 2009, já trabalhei como editor de vídeo e professor de inglês. Sou viciado em cultura pop; música, games, filmes, séries… e claro, as bizarrices que só encontramos nos dias de hoje graças às maravilhas da internet.

Metade italiano, metade japonês mas inteiro peculiar. Ator desde 2009, já trabalhei como editor de vídeo e professor de inglês. Sou viciado em cultura pop; música, games, filmes, séries... e claro, as bizarrices que só encontramos nos dias de hoje graças às maravilhas da internet.